domingo, 7 de março de 2010

vou logo avisando, o texto não tem graça


Na verdade, não acredito que este texto possa conter sequer uma frase que te fará rir, então se essa for sua real intensão para com o resto que há de seguir, sugiro que pare neste primeiro parágrafo.

No ápice de um dia tristonho, são onze da noite deste primeiro sábado de março e as duas unicas coisas que eu ouço agora são: o barulho do ventilador quebrado em cima da cadeira e a música se fossa no aleatório do Media Player . Logo, declaro isso oficialmente um longo e deprimente início de madrugada, sobre o qual eu preciso escrever.

Às vezes as coisas se tornam confusas, não é? De uma hora pra outra, num estalar de dedos você tem que tomar todas as decisões da sua vida de uma só vez, e essa nem é a pior parte da história. Que curso universitário escolher? Que carreira seguir? Ir embora ou ficar? Continuar ou desistir? São tantas respostas que parecem te nocautear com uma urgencia extressante e se você não for firme, se a base não estiver em plenas condições de sustentar tudo, é provavel que todo o prédio vá à ruina plena. E você não tem a quem recorrer, a não ser ao clichê habitual, de estar em meio a tantos e ainda assim estar só, e sem chão. E todas as certezas plenas e inabaláveis, convicções incontestáveis, começam a não fazer mais nenhum sentido, daí a única coisa que você consegue querer de verdade é dormir, pra que, quando acordar, tudo já esteja resolvido e você não precise simplesmente sorrir por conveniência, e sim por sorrir simplesmente, por querer sorrir seja lá qual for o motivo.

Engraçado, é que tem uma hora que no meio de tantas dúvidas você se pergunta como diabos as pessoas conseguem conviver com tudo isso dentro de si mesmas, sem, é claro, querer sumir do mundo, ou fazer todo o resto do mundo sumir... Não é verdade? Obviamente. Só que isto não te tornará menos triste, desnorteado, nem tampouco com menos medo, só te deixará menos sozinho, e isso, oh céus, já é um passo tão grande e significativo que se repente você volta a conseguir (ou lembrar de) respirar outra vez, e a lembrar das pequenas coisas, e de como e do quanto elas são ao mesmo tempo, puramente indidpensáveis e usualmente descartáveis do olhar rotineiro e entediante de todo santo dia. As cores do céu ao amanhecer, o barulho da chuva, caindo gota por gota, uma de cada vez ou todas de uma vez só... E tu começa a esquecer por uns segundos das questões sem respostas, das decisões sem certezas, dos fracassos declarados, das vitórias derrotadas, simplesmente pra ver o sol nascer esta manhã, lá no horizonte, aqui perto de você. E enquanto voê vê o maior dos espetáculos, num estalar de dedos e sem culpa alguma... Se permite voltar, e sonhar outra vez.

beijo, e, se precisar, pode ligar :*
vírgula

5 comentários:

  1. Lu, só tive tempo de ler seu texto agora. É está incrível como sempre ;D. A vida é feita escolhas .. muito clichê, mas a VIDA não precisa ser assim né? :D

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  2. Texto muito bom! E feliz ou infelizmente não tenho nada do que discordar, rs.
    Mas gostei mais ainda do texto anterior, sobre ironia. De fato, é um dom para poucos! hahaha...

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