
Com certeza (ou não) você já ouviu aquela piadinha infame: Cuiabá. “Iabá” = do mundo, e cu... é cu mesmo. O autor disso, que deveria ser uma piada, com certeza não conhece a minha cidade, ela sim é o CU do mundo. Além dela está localizada no interior (do estado) do nordeste (do país), num estado chamado de Rio Grande do Norte (que nem tem rio, nem é grande e muito menos é no norte (by: @luiza__ ), e seu nome oscila entre umas das partes mais intimas de alguém. Eis o nome: CU(rrais) (n)OVOS, nome perfeito para uma cidade que é tão pequena quando um ovo e tão apertada quando um cu (digomesmo).
Currais Novos... Típica cidade do interior, charretes nas ruas sem calçamento, e a bebida mais conhecida é o “ponche” –NOOOOOOOOOOOT. Típica cidade do interior, calma, sem violência (tirando a cracolândia recém criada, e o garoto que foi assassinado ano passado à facadas no meio da praça, e a boca do pó nas vilas de vizinhança avulsa) apenas dois ou três “points” para os amigos se encontrarem, 90% dos cidadãos freqüentam a missa aos domingos, crianças brincam nas ruas, pessoas de mente fechada e desinformada, piercings e tatuagens ainda são coisas do demônio, velhinhas (ou não) ficam sentadas nas calçadas falando da vida alheia.
A Cidade de nome cativante tem seu "lounge” definido em musicas de forró, swinguera e entre outras musicas que suas letras são compostas por no mínimo três, quatro ou cinco palavras (ela ta beba, ta doida, ta beba, ta doidaa, bebaaa, doidaaa), frases ininteligíveis (barabarabara berêberêberê BereBerebere Barabarabara ) ou pessoas que usam seu corpo para um trabalho árduo (amor de rapariga é que é amor, amor de rapariga é bom de mais, amor de rapariga não tem confusão, não tem briga não...) ou quem sabe, amor, um amor lindo e singelo (Amor é feito capim, mas veja que absurdo, a gente planta ele cresce, e ai vem uma vaca e acaba tudo), quiçá carinho (Mamãe ta dodói, papai da da beijinho que passa ...). Musicas que tocam inúmeras vezes em suas inesquecíveis festas, onde você provavelmente terminará bêbado, ou rindo de algum amigo por ter consumido de mais nosso velho amigo etílico, com os pés doendo de tanto ser pisoteado, ou quem sabe até grávida, porque se teve uma festa aqui, que nem mesmo uma menina não tenha acabado grávida, eu não sei qual foi.
Sem contar com as perspectivas para o futuro da maioria dos filhos dessa terra. 30% pensam em estudar, ir para uma faculdade, ganhar dinheiro, e nunca mais voltar aqui (ou não). Os outros 70%, normalmente, vão trabalhar de mototaxista, ou de frentista, ou numa lan house, ou na empresa de seus parentes (não desmerecendo essas profissões, mas nunca ouvi alguém dizer: meu sonho é ser mototaxista, ou , nossa como o cheiro da gasolina me atrai, serei frentista) ou quem sabe até vendendo o próprio corpo para conseguir por comida dentro de casa (ou não), e ficar falada pela cidade inteira, e ser perseguida, cortejada e sustentada pelos ouvintes assíduos de forró e amantes de paredões (me lembra até outra musica: Paredão que é paredão, não toca outra, só toca garota, só toca garota )enquanto suas namoradas estão em casa levando (ou pondo) belos pares de chifres em sua cabeça.
Bom, como aqui não tem nem um lugar em que eu possa gritar até minha raiva esvair-se, sem ser pego pelo manicômio por justa causa devido ao ódio que tenho por esse lugar, esse texto foi mais um desabafo, um bem vindo a minha vida. E pense duas vezes, se sua cidade tiver cinema, shoppping, praia, parque, pessoas bonitas e legais, musica boa entre outros, antes de dizer que sua cidade é uma droga.
@JonaasF