Se você for uma mulher, garanto que me entenderá perfeitamente, já para os rapazes interessados em tal lei de amizade do código de ética feminino será um pouco mais... trabalhoso de se explicar.
Toda mulher tem sua lista dessas, independente da idade, classe social, grau de beleza ou opção sexual.
Intocável é todo e qualquer homem ou (nos casos mais modernos) mulher cujo contato carnal ou afetivo com alguém que não seja você venha a gerar situações bastante inconvenientes. Vide ciúmes coléricos, incontroláveis surtos de ausência daquilo que é comum chamarmos de consciência ou sanidade moral, vide sangue fervente subindo-lhe à cabeça, delírios psicoticamente satisfatórios de morte lenta e dolorosa, bem como o desgosto contido em toda e cada uma destas ocasiões ocorridas casualmente durante nossas vidas.
Mas a pior consequência do rompimento da lista dos intocáveis não será a inconveniência física que isto vir-lhe-ia causar, tampouco o "cair na real" de se ter perdido o bofe que outrora era seu, mesmo psicológicamente. A pior coisa que se pode acontecer ao quebrar tão sagrado laço quanto a tal lista, é o possível rompimento de uma amizade verdadeira, tão difícil de se encontrar no mundo atual e ainda mais raro no universo feminino, onde mentiras, segredos, fofocas e tensões pré-menstruais ja destroem tantos possíveis enlaces fraternalmente afetivos.
Haverão aquelas que, ao ler isto, tentarão mentir para si mesmas, dizendo que é uma besteira, que não existe, mas existe. Mesmo que o atual seja o mais-que-perfeito homem dos seus sonhos, terá um nome além do dele (isso se o dele estiver lá ou se realmente houver o tal atual). Sempre vai ter aquele amor de ensino fundamental, aquele da maior decepção, o primeiro namorado e o último chifre lá na lista, vetando laços mais... digamos... Intimos, entre os tais e suas amigas.
Toda mulher tem uma lista dos intocáveis, isso não é segredo para ninguém. Segredo mesmo são os nomes escritos em cada uma delas... E então? A sua lista também é um segredo?
Feche seus olhos e lembre-se de quando tinha alguns centímetros e dois dentes da frente a menos, bem como joelhos arranhados e certos motivos a mais pra envergonhar sua mãe ao mangar, rir, urinar-se de tanto gargalhar, quando alguém se danava no chão bem na sua frente.
Lembre do quão bom era não ter que saber medir as palavras e falar o que "dava na telha" (gírias idosas), falar o que todo mundo naquele lugar queria dizer, mas não tinha a coragem nem a cara de pau de uma criança banguela, que, na cara-dura, olha praquela sua tia gorda e diz, inocentemente, com um sorriso enorme pra vaca cujas mãos pareciam ter um ímã direcionado às suas bochechas:
"Tia você me lembra o bichinho do filme que eu assisti ontem." Ela fica com um dedo de desconfiança, mas sorri disfarçadamente com aquele ar de sapa velha e mal comida e pergunta:
"Qual filme, meu xuxu?" Pentelha, sapequinha e serelepe, à espera da primeira oportunidade de destilar seu veneno pueril, a criança olha pra tia, abre o sorriso de orelha à orelha e fala:
"Free Willy..." Mesmo com todo a exacerbada falta de estima pela integridade moral da cara da sua mãe ao te ouvir falar o que ela própria havia pensado quando viu a gorda, digo, a tia com um maiô preto se jogando no açude de água barrenta naquele churrasco familiar.
Ó céus, como era bom o tempo que havia coisa melhor na tv pra se assistir. Na minha época? Não existia essas boiolagens encubadas de backyardgans não! É um absurdo, a gente vê hoje em dia, coitados, os garotinhos de 5 ou 6 anos... Tudo com a fala fina, e cérebros não condizentes com a realidade e ninguém sabe o porquê! A Discovery Kids nunca me enganou! Ela aliena as pobres criancinhas que ficam feito bocós, obsecadas por seus personagenzinhos um tanto afeminados!
Onde foram parar os bons desenhos que enchiam, de planos infalíveis, duplos sentidos, sarcasmo, trapaças e censo crítico os cérebros juvenis, mostrando-os a dura, maquiavélica e adorável realidade?
Eu estou falando de desenho, desenho de verdade, de DragonBall, de Samurai X, Tom e Jerry, Pica-pau, Caverna do Dragão, Pinky e Cérebro, Ursinhos Carinhosos, Power Rangers, Johnny Bravo! Onde foram parar O Laboratório de Dexter, Desenhos Incríveis - o show, Sheep na Cidade Grande, Eak - the cat, Gato Félix, Os Cãezinhos do Canil, Sailor Moon, Sakura, Capitão Planeta, Bananas de Pijama, Doug Funnie, Cavaleiros do Zodíaco, O Fantástico mundo de Bobby, Jetsons, Flinstones, Pernalonga & Patolino, Rugrats – Os Anjinhos, Du, Dudu e Edu, Os dois cachorros bobos, Pokemon, Digimon, Thundercats, BeetleJuice... Os desenhos de verdade?! O que há de bom hoje em dia além de Padrinhos Mágicos?! NADA! Tsc.. tsc..
E a diversão? Playstation 1, 2, 3? Gameboys? Jogos em rede? – Faz me rir, o máximo a que se chegava perto disso era quando seus pais te largavam naquela locadora e te deixavam lá por, sei lá, uma hora, no máximo, enquanto desopilavam de você tomando uma na Discot! Ao olhar de uma dessas crianças alienadas, isso parece um martírio, mas pra nós? Era a melhor hora da semana, mesmo sem os Playstations. Afinal tínhamos os Nitendo e Sega cujas fitas magicamente funcionavam quando você soprava o fundo delas, maravilhando nossa existência e dilatando nossas pupilas ao jogar Aladin e conseguir passar daqueles velhinhos filhos da puta que atiravam flechas, jogar Mário Brós e saber as passagens secretas que te faziam descer naqueles canos verdes e a felicidade inigualável de zerar o Sonic! Bons tempos, bons tempos.
Não se vê mais aqueles pivetinhos na calçada da casa dos avôs, nos sábados de tarde, jogando tazzo, brincando de pular elástico, ferrando a coluna dos primos ao brincar de borracha mamão, andando de um lado pro outro, um dia depois do dia da criança, com os patins novos pelos quais tirava o sono do papai e da mamãe desde o São João... Não se vê mais Barbies bonitas, nem a animação mais que efusiva de uma garotinha ao ganhar uma daquelas bonecas que mijavam, nem as bicicletas de rodinha sob os pequenos infantes circundando a Praça Cristo Rei, passando por cima dos velhinhos com cara de sítio que cuidavam dos carrinhos de confeito...
Onde foram parar as propagandas absurdamente apelativas? (Compre Batom, compre Batom, compre Batom) Ou os Jingles que não saíam da cabeça da gente? (Quem disse que não dá? Na Fininvest dá) Ou as aberturas de desenho que todo mundo decorava? (Açúcar, tempero, e tudo o que há de bom. Esses foram os ingredientes escolhidos para criar as garotinhas perfeitas, mas o professor Utônio acidentalmente acrescentou um ingrediente extra na mistura: O ELEMENTO X. E assim nasceram as meninas super poderosas: Florzinha, Lindinha e Docinho, para combater o crime e as forças do mal)...
E depois de ler tudo isso, eu abro os olhos e vejo na minha frente meu passado ao me olhar no espelho e digo: Porra, eu não cresci nada. Resenha. Eu olho e digo: SIM. Eu tive infância!
Gay é o melhor estágio que um homem pode chegar: ele parece ter sentimentos, entende de moda, sabe o que é por um sofrer cafajeste e não sofre com a TPM. É claro que isso só se aplica se o cara gay for seu amigo, não seu ex-namorado.
Eu namorava um cara (vamos chamá-lo de Higor, o Machão) e ele até que era um cara legal, mas tinha sérios problemas no seu esfíncter, o que o tornava praticamente incapaz de segurar uma flatulência por mais de 30 segundos. O namorado – Higor, o Podre –, além de ser uma chaminé de enxofre ambulante, gozava de sua virilidade hiper-máscula e significativa e adorava sair procriando por aí, enquanto o cabrito montês aqui ficava em casa planejando o casamento... mentira, eu ficava assistindo a reprise de Os Simpsons, que era bem mais interessante que ouvir os balbucios primitivos daquela anta sobre suas ex-namoradas – atuais dependentes químicas – e como elas ainda o queriam. É, eu sei, por que não chutava de uma vez o ridículo Higor, o Imprestável e dava uns pegas no vizinho lindo de ombros fortes e cérebro maduro? Ah, porque eu caíra numa onda lazarenta de costume e temia pelo futuro de Higor, o Mala que, apesar de todas as idiotices, era um cara legal e me fazia sorrir. Mas, um dia, tomada pela onda de boa sorte que sempre vem no meu caminho, o destino me fez ver bem além das verdades que eu me recusava a enxergar. O sorriso não veio mais. Ao descobrir um dos acessórios bovinos que ele gentilmente me dera de presente – o primeiro de todos que ele havia me colocado e que eu só viria a descobrir após o término do namoro – aproveitei a essência micareteira que se apossou de mim durante a véspera do carnaval fora de época da minha cidade, acabei com o parlapatão e, ainda por cima, peguei o melhor amigo dele.
Eu nunca vi um machão, tão macho como ele dizia ser, pegador e tudo mais, tomar todas, se arrepender dos pecados e vir correndo feito um cachorrinho atrás de uma mulher. É, e ainda vi o supermachão virar um salgueiro chorão, de tão ébrio e “arrependido” que estava. Aquela micareta foi o fim do meu sossego por um longo, longo tempo. Depois de muitas frases revoltadas em nicks de msn, status de orkut e twitter, que serviam também de indireta para mim, eu vi a frase: “vou tomar todas, farrear, me divertir” e “enfim solteiro”. Nossa, eu nunca que iria saber que uma pessoa que se sentia aliviada por ficar solteira fosse correr atrás de alguém do jeito que ele correu atrás de mim. Porém, tamanha foi a minha surpresa quando eu vi um e-mail que me mandaram. Ele não se sentia aliviado por estar solteiro por causa de mim, mas sim por causa de um caso que ele teve durante aquela micareta. Tudo bem, eu poderia estar me sentindo um lixo, e eu me senti, mas quando vi aquele e-mail, percebi que aquele ser tão “machão” ficava com todas, inclusive comigo, para disfarçar sua verdadeira opção sexual. É, isso mesmo. Eu fiz alguém descobrir seu verdadeiro eu interior e eu sei que ele vai ser grato a mim algum dia... de quebra ainda entendi o problema no esfíncter.
Moral da história: essa história não tem moral. As únicas conclusões que podemos chegar é que 1) homem que chora não presta; 2) homem que tem subnick do tipo “hoje eu quero curtir, farrear, beber” cedo ou tarde se descobrirá gay demais da conta. Por quê? Ah... porque, vamos supor (supor? Hum, sei), ele, que já estava com sua sexualidade posta à prova vai encher tanto a cara que vai topar participar de uma orgia com três caras – um deles chamado João Eduardo que vai ser bofe do seu ex-bofe antes hétero, agora gay – e uma única garota – provavelmente a única pessoa sóbria presente (e que vai filmar tudo e depois jogar na internet só de pirraça), que não vai ser lembrada por nenhuma das barbies loucas sodomitas.
Não há nada melhor que o domingo de manhã, preguiçoso de cobertores acolhedores, onde o plano é dormir até as quatro da tarde – principalmente depois de ter ido dormir quase no fim da madrugada por motivos de força maior, como por exemplo, uma micareta bombando no centro da cidade, com o som bombando ainda mais, fazendo parecer que a tal micareta era dentro do meu quarto. Mas tudo bem, ao menos a banda era boa. Voltemos ao tal domingo de manhã – preguiçoso, com você no melhor dos seus sonhos, na hora daquele melhor cochilo mor, ai ai... Sua mãe abre a porta num estrondo imenso e grita: “Acorda, deixe pra dormir quando estiver na cadeia! Nós vamos para o sítio!” e lá se vai meu domingo.
Já são quase 17 anos falando, mas, ou minha mãe é surda, ou ela simplesmente é masoquista, ou adora me ignorar, ou é disléxica mesmo: Eu ODEIO sítios, fazendas, ranchos, ou qualquer coisa do tipo que me lembre mato! Pedaços de terra desprevenidos de civilização eletrônica básica tipo um sinal de celular, tendem a ser, pra mim, um estágio do inferno, no mínimo.
Era o aniversário de uma amiga, filha da madrinha da minha tia que fez redução de estômago, ta grávida e vai se casar no fim do mês. E todo mundo sabe que nesses tipos de “confraternizações” sempre tem cada uma...
Tem sempre um carro de som, com a mala aberta em direção à casa, rolando de Fagner e Amado Batista ao forró tecno-brega do Deja-vú, sem falar no pagode.
Tem sempre um churrasqueiro cachaceiro que ou é míope, ou tava bêbado demais, ou queria mesmo que todos os presentes convidados pegassem algum tipo de doença infecciosa deorigem bovina, somente por respirar perto de sua picanha (TÃO) mal-passada que você ainda conseguia sentir a dor do pobre animalzinho à medida que mordia um pedaço e sentia o sangue dele escorrer através da sua garganta.
Tem sempre aquele cara que, depois de ter o rabo imerso em cana, começa a contar aquelas piadinhas desgraçadas num volume maior que o do som. Vamos chamá-lo de Aléx (o chamaremos assim porque esse é mesmo o nome dele), ao som de Espumas ao vento numa versão de forró pé-de-serra, urrava piadas sobre o pau de num sei quem, discursando em cima de um tamborete. Aléx – o marido da irmã da amiga da minha mãe, filha da madrinha da minha tia que fez redução de estômago, ta grávida e vai se casar no fim do mês – após umas 300 latinhas de cerveja, 1200 piadas desprovidas de humor, desabou num sofá recostado à parede e apagou, deixando o ambiente menos pornográfico e barulhento.
Tem sempre aquele povo que fica na cozinha o tempo todo, pigorando todos e cada um dos pratos que passam na frente, pra tirar a barriga da miséria. Fazendo parecer que não comem há três dias e três noites.
Ah, tem sempre aquele grupinho de jovens com idade entre 17 e 20 anos, filhos dos convidados e convidados da filha da aniversariante, aquele velho grupinho que reflete a juventude de uma sociedade interiorana: As garotas com roupas e óculos praticamente iguais, que só mudava na cor e na marca de uma pra outra, com seus copos de bebida alcoólica na mão, com seu ForróVaquejada&Cabaré lifestyle, comentando os babados e fuxicos da micareta do dia anterior e combinando quantos bofes iam pegar na de hoje, resumindo, a degradação psico-intelectual da raça humano-seridoense.
Se bem que tem sempre um lado bom em tudo, como todo aniversário que se preze, tem sempre um bolo enorme, suntuoso e delicioso em creme, chantily e chocolate para te engordar 4 quilos só de você olhar pra ele... Afinal, eu podia estar matando, roubando ou me prostituindo neste domingo ensolarado, mas não estou. Uma vez que sempre tem algo pior pra acontecer, como por exemplo, ser acordada antes das dez da manhã pra ir pagar de otária num aniversário lá no inferno da pedra, onde você não conhece ninguém!
Meu dicionário diz que é “bem querer; afeição; afeto extremo; paixão”, mas eu não acho que seja isso, aliás, não acho que seja só isso... Como diria a (nem tão) velha e (nem tão) boa Ana Carolina (a bi), o amor é mais que isso. E há quem concorde muito bem comigo.
Eu acho que o amor e o álcool têm muito mais em comum do que muitos de nós, meros mortais, pensamos. Uma vez que amar é mais que mais ou menos como ficar bêbado(a), não que eu já tenha realmente sentido o que é o amor ou ficado realmente bêbada, mas sempre observei que apaixonados e embriagados tem exatamente os mesmos sintomas.
Tendem a rir ou chorar por coisa alguma, esquecem que o resto do mundo existe, sentem-se corajosos e idiotas ao mesmo tempo, fazem coisas das quais nem naquelas horas de cólera ou carência extrema se atreveriam a fazer em seu estado normal. Eles, os bebuns e manicacas, passam a falar besteiras e devaneios que só mesmo os da mesma raça conseguem entender, um novo tipo de dialeto particular que não tem quem agüente.
Mas nenhuma destas semelhanças é maior do que o fato que todos dois dão uma PUTA dor de cabeça quando passam, e sempre sobra pros amigos,seja pra passar a mão nas costas enquanto eles vomitam ou emprestar o ombro e a orelha pra afogarem as mágoas e lágrimas. E só há uma diferença, e a mais verdadeira de todas: A bebida destrói seu fígado, já o amor, seu coração.
Mas a gente supera, e por via das dúvidas, pare de se desesperar pela sua metade da laranja, procure a metade do limão...Adicione gelo, açúcar, pinga e SEJA FELIZ!