sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Então, é fim de ano


Fim de ano chegando, o sino bate, o frio chega (ou não), as pessoas se tornam mais amaveis (ou não), a sensação de que o ano passou voando está dentro de nós. A gente olha pra traz e ver quantos calos nos seus dedos foram pisados, mas hoje tem um bom band-aind do mickey nele. Lembramos quantas vezes acertaram um taco de baseball em nossos rostos soados e de barba mal feita (para quem tem), mas hoje... Bem, nossa cara continua a mesma coisa feia de sempre, uma pancadinha a mais ou uma menos, não fez diferença nem uma.
Você lembra dos amigos que fizeram, dos que desfizeram, dos que refizeram, e dos que mantiveram. Lembra dos momentos em que riram, em que choraram, em que tiveram vontade de matar um ao outro, e daquela vez que mataram aquele velhinho chato de sua rua, e o jogaram no rio (brincadeira :D) percebe que sua vida não é lá uma droga não grande assim. Ou então, vê que sua vida é realmente uma droga, e se mata.
Você ouve aquelas canções de fim de ano, incluindo as do especial do roberto carlos. Você tem pensamentos maldosos quando ouve "então é natal, o que você fez? (8)" Você pensa que todo mundo vai te mandar um cartãozinho de natal. Mas não ganha nada, alem de um beijo molhado de sua tia.
Você faz planos que não irão se realizar em 2011. Lembra os que conseguiu (ou não) realizar em 2010.
Vai a reuniões familiares, onde voce vê primos que voce nao sabia que existiam, e que moram em todo buraco do mundo. Vê seu parente não tão proximo ficar bebado, e falar tanta bosta, que seriam necessarios 20 pinicos para segurarem tudo. Participa de amigo oculto, onde voce nunca ganha presentes que prestam, e parece-lhe que todo mundo ganhou algo realmente bom.
Você ve todos seus amigos indo embora, indo viajar para lugares legais, divertidos, independentes, com os amigos e tudo de legal. E você? Fica em casa, com seus pais, comendo comida gordurosa, desejando um feliz ano novo por sms para seus amigos que estão se divertindo, bebados, na praia.
Mas o espirito natalino e do fim de ano, está ai, em algum lugar, escondido entre as bebidas, as comidas, as brigas... Entre os amigos e a familia. Basta você encontrar. (quem encontrar, por favor, me avisa)

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Querido Noel,

Sei que deve estar vagabundeando em níveis alarmantes uma vez que gente que foi boazinha durante o ano tá mais difícil de achar que um lugar na minha bunda que não tenha celulite ou o caminho que tomaram as verbas de obras públicas para esta inebriante cidade onde, por ora, resido.

Então, adorável , em cobrança dos habituais pedidos exuberantes das cartinhas dos anos anteriores escritas pela lindona aqui, devo lembrar ao senhor que eu ainda não recebi meu próprio pokemón, nem o unicórnio, ou tampouco os 300 ml de silicone, contudo, eu ainda no lucro porque consegui conservar o namorado maravilhoso que ganhei de presente sete meses depois da cartinha natalina de 2008, pois após tanto apelar a tudo que é reza, macumba e simpatia, resolvi empunhar uma folha de papel A4, uma caneta bic azul e me privar de toda e qualquer vergonha na cara (que já não me restava) para pedir ao Papai Noel um namorado decente pra mim. E - pasme, acredite você ou não, consegui um.

Mas vamos lá, Velho Papi, este ano quero retomar o pedido do ano passado daquela boa aprovação do vestibular que a gente tinha combinado e não chegou. Quero meu cabelo bom, meu namorado continuando fiel, minha boa vontade ainda disposta na academia e um pen-drive (no bom sentido, porque no mau eu já tenho um super disponível ~ 6). Quero meus culotes desaparecendo assim como essa vontade insana de chocolate que me acomete mais de três vezes por semana. Quero dois quilos a menos no bucho, dois dígitos a mais na conta do banco. Um emprego para o caso do pedido retomado ser atendido, eu vou morar fora daqui e não na vibe de passar fome - mesmo que seja tendência. Quero perder o medo de dirigir, um travesseiro que preste e um dispositivo de internet móvel.

Saí dessa vida de pedir paz (mesmo que virtual), estabilidade, amor nas famílias e saúde pro mundo porque aí estão os WikiLeaks, o terremoto no Haiti, Nardonis e a gripe Suína que, respectivamente, me frustram as cartinhas - posto que até os unicórnios pra mim são mais palpáveis. Sem falar nessa ideia que a gente tem de que Vossa Natalidade é a quarta pessoa de Deus mesmo fazendo bico de garoto propaganda da Coca-cola (Lê-se "aloDiabo" de trás pra frente) OU SEJA, vai entender esse povo ?

Enfim Noelzinho, SEU LINDO, sendo você real (ou não), sendo você a quarta parte de Deus (ou não), usando um pijama vermelho e uma barba falsa (ou não), eu só imploro - quase mais que a todas as apelações anteriormente citadas, que o senhor ilumine a cabeça dos músicos atuais, para que ano que vem, eu não seja obrigada a ouvir "Então é Natal" pela quadrilhonésima vez quando entrar num supermercado qualquer. Desde já um feliz ano novo pro senhor e à senhora sua esposa.

beijonãomeliga e até o ano que vem ;*
@luiza__

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Carta ao Ministério da Educação

Ao Ministério da Educação,

Muito prazer, meu nome é Otário. Destinado a perecer no comodismo de uma nação sem respeito. Sou eu, você não reconhece? Mais um daqueles tantos números de inscrição, engraçado não lembrar - até cartão mandou lá pra casa, pra que eu confirmasse e por osmose concordasse com todo esse circo de lona tão abrangente, a ponto de cobrir o país inteiro, fazendo de tantos outros como eu meros palhaços a ilustrar o palco principal.

Na ponta dos cascos e fora do páreo, orelhas de burro em distribuição gratúita fosse norte, sudeste, centro-oeste, sul ou nordeste. Injustiça não é a palavra que eu procuro, posto que "cancelamento", até mesmo a mim, parece a melhor solução. O que eu quero é mais um sinônimo de incompetência, pra poder justificar as dez horas que eu perdi, marcando num gabarito invertido as doses cavalares de questões: umas bem elaboradas - reconheço, as imbecis, aquelas confusas e bom, as que não estavam lá.

Emergente, todavia negligente Brasil, com seu povo reclamão e sem protesto algum concreto em mãos. Se antes estudantes pintavam a cara por seus direitos, ou faziam passeatas pelo progresso - aquele estampado na bandeira - enfrentando, respectivamente, a apatia da aceitação e a ditadura repressiva, hoje não parecem significar tanta coisa assim, já que as manifestações desta geração na qual revoltadamente me incluo, têm em seu resumo "xingar muito no twitter".

Mas que posso eu fazer sozinho, se de tantos tão pouco sou? Que me resta com toda esta bagunça, se mesmo cidadão não tenho liberdade para expressar-me, se mesmo indignado nada tenho, além claro dos meus ideais? Cadê os tantos como eu - diferentes dos muitos acomodados esperando que tudo se resolver sozinho? Cadê aqueles sem medo de exigir mudanças, de lutar pelo melhor futuro dos que ainda hão de vir, aqueles muitos como eu, chamados de "otário" por amor às causas "perdidas"?

Nos sobra, não só um nariz e sim toda a vestimenta de ridicularmente completos palhaços, mediante a falta de respeito acoplada a todos esses erros sucessivos nomeados em conjunto de "Exame Nacional". Uma pena. Pena que seja o cancelamento o unico meio de reparar os danos causados. Mesmo que por enquanto eu seja só um número, eu sei que como brasileiro, estudante e dedicado a buscar um futuro decente - Eu não sou só mais um, mas espero que sejam muitos junto comigo.


Sendo assim, me despeço.
Grato pela atenção que a mim
não foi dispençada no momento oportuno.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

PROMOÇÃO: Nos prove que você também não presta!

Babado confusão e gritaria!

Nós jogamos todas as nossas tiradas sarcásticas, nossos conceitos preparados, nossos textos engraçados (ou não), damos a nossa cara à tapa aqui pra que vocês engulam, absorvam, aceitem ou mandem pra merda - dependendo de cada um. Nós sabemos que não prestamos, e não temos a menor vergonha de cada ironia imoral, ilegal, que daria multa ou até cadeia que aqui defendemos, alegamos e gritamos a plenos pulmões pelos dedos. Com isso, recebemos de vocês os comentários, opiniões, puxões de orelha, propostas indecen.. Desconsiderem o último item... O caso é que nós queremos mais de vocês. E nesse espírito de rico que da gente se apodera, resolvemos inventar uma promoção pelos 13 meses de vida desse humilde blog que vos traz tantas revoltas e indignações (posto que alem de não prestarmos pra muita coisa, somos incrivelmente desligados e não lembramos que mês passado o #
descobriquenãopresto fazia seu primeiro aniversário).

O NEGÓCIO É O SEGUINTE:


Queremos que prove que, assim como nós, você também não presta! Seja por um texto irônico, uma piada sarcastica ou uma foto absurda, provando que você veio ao mundo para causar (nem que seja a maldade, ou o caos, ou algo do gênero). Queremos nível, de boa escrita por favor, e também de bom humor. Fale sobre a sua mãe, sobre a mãe dos outros, tire foto sacaneando algum amigo - mas relevem o lado negro da força, não podemos incitar a violência, apenas sugeri-la (mentira). Faça o que você quiser, contanto que seja NO MINIMO interessante.

COMO PARTICIPAR:


Mande qualquer uma das sugestões acima citadas (ou se você tiver uma idéia mais interessante - o que eu não acho que seja possivel, porque eu sou o máximo e pensei em todas elas), para o email descobriqueeunaopresto@hotmail.com e torça para cair nas graças dos nossos juízes.
Lembrando que não há limites de tentativas pra você mandar seu atestado de megero (a). Estamos esperando hein?

QUEM VAI JULGAR?


Uma bancada experiente no assunto, graduada e totalmente sã do que se trata (mentira). É claro que sou eu, a linda, e o macaco do @JonaasF que por pena (é brincadeira) escreve aqui também. E o povo da nossa familia e quem mais a gente quiser perguntar avulsamente porque é nóis que manda nessa budega! Rá!

E por falar em interessante, vamos bem ao que interessa:
O PRÊMIO!

O vencedor desta tão mal-discorrida promoção vai ganhar, além da glória eterna (NOT) de vencer as (na minha imaginação) milhares de cabeças maléficas pensantes que hão de participar, receberá em casa uma camiseta do nosso primoroso blog, contendo a ilustração de nosso meigo e convidativo mascote: O pinto - que não é o do seu pai nem tampouco fugiu com a galinha da vizinha - aquele alí, capetinha, serelepe, no cabeçalho do blog. :D

Pegue tudo o que puder, sem nunca nada devolver. As cartas estão lançadas. Boa sorte. Ou não.

bjonãomeliga ;*
@luiza__

PS: Para mais informações, siga-nos no twitter e pergunte, qualquer coisa a gente passa o msn por DM pra dar a informação melhor porque a gente não é periguete pra tá dando o msn avulsamente assim, então tá. Tchau. :D

PS²: A promoção vai até o dia 5 de novembro, e o resultado sai dia 11 (de novembro também). Então é melhor correr! :D

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Quem sabe, né?


Lá está você, jovem brasileiro. Portando seu título eleitoral e documento de identificação oficial com foto, em frente a um pequeno aparelhinho revolucionário, bastando digitar alguns numeros para que, ofiicialmente, você tenha sua parcela de culpa no progresso ou na regressão de sua nação. Parece algo importante, não é mesmo? Não se preocupe, não pretendo fazer você se sentir numa daquelas propagandas patrocinadas pelo governo, onde, por osmose, você começa a ter abuso de política...

Mas o que seria de toda a pomposidade das campanhas políticas, todos os milhões em dinheiro derramados, ou litros de salivas gastos defendendo o que fulano vai fazer e condenando o que sicrano não fez, se simplesmente déssemos ouvidos ao que REALMENTE importa? Se você votasse pelo que fosse melhor para a saúde do seu estado e não pelo emprego que o cunhado do pai do seu tio em terceiro grau vai conquistar caso tal candidato ganhasse o posto. Se você pudesse votar pela mudança, pelo progresso, por ondas de evolução ao invés de deixar que o sistema te deixe se afogar em toda a mesmice de um mar desonesto que se prolonga ano após ano, pagando sua estadia à população em pequenas parcelas de pão e circo..

Engraçado que mesmo com toda a esperança que de mim se apossa nessa oportunidade, de fazer com que você, que está lendo este sincero texto neste singelo blog, possa ver com os meus olhos e ler nas minhas palavras um assunto que se abrange tanto e ao mesmo tempo dá pra nós, jovens, tão pouca voz - em alguns momentos não consigo imaginar o que seria desse meu Brasil, mal acostumado por saber que tem seu closet tão lotado de acomodadas bolsas-tantofaz, imaginando possibilidade se ver pela primeira vez em algum tempo, prestes a arregaçar as mangas, levantar do sofá e fazer alguma coisa de resultado à longo prazo, ao contrário de ficar lá de frente pra tv naquela vibe imediatista, e só esperar chegar o dia de ir na lotérica retirar o pagamento auxilio-algumacoisa, e fazer juiz àquele velho ditado de entregar o peixe sem ensinar a pescar. E se déssemos lugar às boas propostas no lugar das boas gratificações (em espécie, tijolos, sacos de cimento ou até mesmo senhas de micareta), se pudéssemos estar dispostos a ouvir o que precisamos ao inves do que queremos..

Talvez não houvessem tantos votos reunidos num mesmo "protesto" deixando os Tiriricas da vida serem eleitos sem prestar atenção nas mega-jogadas politico-publicitárias que existem por trás deste tipo de coisa. Talvez não precisássemos aguentar aquele infeliz do Ey Ey Eymael, o democrata cristão, todo santo dia durante o horário politico. Talvez na política de hoje, o jovem pudesse ser associado ao futuro trabalhador, à educação de qualidade plena e não apenas à programas com relação ao combate às drogas e violência. Talvez não precisássemos sair neste domingo de nossas sessões eleitorais portando, junto ao titulo de eleitor e o documento de identificação oficial com foto, um enorme e reluzente nariz de palhaço.

Quem sabe, um dia.
@luiza__

domingo, 26 de setembro de 2010

E ai você percebe que nada muda.




Eu posso afirmar que minha infância não poderia ter sido melhor. Nada de computador, apenas meu Super Nitendo (Com Mario World), nada de namoro, nada de festas e muita, muita “pereba”.
Não estou aqui pra falar de decepções amorosas e nem para falar mal da minha sala de aula, e sim pra relembrar o quão bom é o valor de uma verdadeira amizade.
Não tenho TANTOS amigos de infância, no sentido literal da palavra. Mas os que eu tive, foram o suficiente para ter uma infância maravilhosa, com patins, cicatrizes, idas ao mercadinho, e varias peripécias como lavar banheiro com creme dental. Uma infância boa o suficiente para render a minha mãe alguns fios brancos de cabelo, e boas palmadas vindas do irmão.
E você fica mais feliz quando você percebe que as únicas coisas que mudaram entre vocês, depois de quase 16 anos de amizade, é que vocês não podem mais tomar banho juntos, e que os assuntos de seus diálogos passaram de Patins e adedonha, para Namoro e Vestibular, e é claro, o fato de não terem mais a mesma altura, já que normalmente o maximo que conseguem chegar é ao seu ombro.
O corpo sofre mutações, a voz engrossa, os pensamentos mudam, mas amizade continua intacta. Sim Shakespeare, você tem razão, "depois de um tempo você descobre que grandes amizades continuam a crescer mesmo a longas distancias".
@JonaasF

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

É da negada, mas é bom


Essa é uma história veridica, aconteceu com o amigo de um amigo meu comigo. Dias 03,04 3 05 de setembo. Bem vindo a data mais libídica do ano. onde o beijo na boca, o sexo, a bebida e as drogas correm mais rapido do que coelho com pimenta nas vias anais.

Única data do ano onde você bebe numa noite só: tequila, vodka com redbull, 51 com coca e cerveja, termina a noite se sentindo o fedor do cocô do cavalo do bandido, mais tonto que bêbado em montanha russa, tão fedido quanto um banheiro quimico (e público), e ainda pega mais de oito na noite.

Festa esta, onde sob o efeito de drogas, seus inimigos te abraçam como se te amassem loucamente, ou te esfaqueiam (ou te faz querer esfaquea-lo) veementemente. Onde você reconhece seus verdadeiros amigos, e classifica como apenas conhecidos, aqueles que antes chamava de amigos. Onde você alisa as costas do seu amigo para vomitar, ou tem vontade de vomitar na cara daquele "amigo", que agora é apenas "conhecido", que ficou rindo da sua cara, e se drogando, enquanto voce tava na pior.

Festividade que quanto mais gente para pisar em seu pé, derramar bebida em você, te melar de suor, melhor.
Tres dias de ano em ano, que ou você lembra pro resto da vida, ou esquece devido a bebida.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Pode até ser meio bosta, mas nem fede tanto assim

Era uma vez um lugarzinho no meio do nada, sem sabor de chocolate, e com um cheiro não muito agradável de estrume de vaca em determinados pontos nem tão isolados assim. Bem vindos ao subdesenvolvimento emergente interiorano, posto que já temos política do pão-e-circo com direito a eventos monumentais para deleite de toda a massa populacional, coca-cola e lan houses - sendo que a saturação do último item no comércio local toma proporções absurdas chegando a pelo menos uma a cada esquina tornando a inclusão digital cada vez mais acessível, fazendo da internet um ambiente cada vez mais depreciativo (ou não, quem sabe).

Hipocrisia nunca foi muito a minha praia, logo, obviamente admito, cidades como a minha tem lá seus encantos. Belas paisagens, ruas históricas (tipo a VPA), com pontos de diversão altamente atrativos no meio do mato e afins, mas não estamos numa daquelas propagandas de cidades turísticas pelo Brasil que passam na Globo nos intervalos, ora bolas.

Estamos falando das cidades rotineiras que preenchem este país de cabo a rabo e que raramente passam no Jornal Nacional, coleguinhas. Onde pode não haver a mesma violência em níveis exorbitantes, mas há bocas de crack acessíveis ao atravessar a rua, homens são mortos à facadas em praça pública no meio de festividades locais e, o pior de tudo, jovens carentes de boas influencias musicais, gerando um surto de sertanejo universitário e músicas internacionais de renome sendo plagiadas e dizimadas por versões forrózisticas que acabam por tirar delas toda sua essência (uma vez que "Meu anjo azul" está para "Because of You", assim como "Paulinha" está para "Can't Live", ou seja).

Estamos tratando daquelas típicas sociedades retrógradas (com suas exceções, obviamente) mas não há como negar nem fingir que as pessoas discutem, opinam sobre, e se importam com a vida alheia, mais até do que com as suas próprias. Ideais extremamente ultrapassados, onde o que é diferente deve ser exterminado - que vão das roupas fora do comum e cabelos de cores não-convencionais, até as questões sexuais, amorosas. Estilo e personalidade muitas vezes combatidos porque ensinam as criancinhas que "é bonito ser igual aos outros", em todo o abrangente significado que a expressão pode ter.

Podemos não ter shoppings, cinema e nem mesmo McDonalds por aqui. Só que, assim como nas grandes cidades, ainda temos esgotos a céu aberto, precariedade na saúde pública, políticos corruptos, gente fútil - apenas em diferentes proporções (para maior ou menor). Podemos não ter grandes edifícios lotados de gente importante, caos no trânsito, nem transporte coletivo. Mas a gente já tem até favela, refrigerante com gás, tráfico de drogas com estágios alarmantes, internet e tv a cabo. Além, é claro, daquele cheiro bom de casa de vó, do gosto maravilhoso daquela boa, típica e velha comida caseira que só pedaços de fim de mundo esquecidos por Deus podem ter.

Ah, e só um detalhe: A gente ainda pode respirar em paz sem ter o pulmão manchado pela poluição ou perfurado por uma bala perdida - por enquanto. Olhando de perto, vivendo na pele, pode até ser meio bosta, mas nem fede tanto assim. (Y)

Beijonãomeliga ;*
@luiza__

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Cu


Com certeza (ou não) você já ouviu aquela piadinha infame: Cuiabá. “Iabá” = do mundo, e cu... é cu mesmo. O autor disso, que deveria ser uma piada, com certeza não conhece a minha cidade, ela sim é o CU do mundo. Além dela está localizada no interior (do estado) do nordeste (do país), num estado chamado de Rio Grande do Norte (que nem tem rio, nem é grande e muito menos é no norte (by: @luiza__ ), e seu nome oscila entre umas das partes mais intimas de alguém. Eis o nome: CU(rrais) (n)OVOS, nome perfeito para uma cidade que é tão pequena quando um ovo e tão apertada quando um cu (digomesmo).
Currais Novos... Típica cidade do interior, charretes nas ruas sem calçamento, e a bebida mais conhecida é o “ponche” –NOOOOOOOOOOOT. Típica cidade do interior, calma, sem violência (tirando a cracolândia recém criada, e o garoto que foi assassinado ano passado à facadas no meio da praça, e a boca do pó nas vilas de vizinhança avulsa) apenas dois ou três “points” para os amigos se encontrarem, 90% dos cidadãos freqüentam a missa aos domingos, crianças brincam nas ruas, pessoas de mente fechada e desinformada, piercings e tatuagens ainda são coisas do demônio, velhinhas (ou não) ficam sentadas nas calçadas falando da vida alheia.
A Cidade de nome cativante tem seu "lounge” definido em musicas de forró, swinguera e entre outras musicas que suas letras são compostas por no mínimo três, quatro ou cinco palavras (ela ta beba, ta doida, ta beba, ta doidaa, bebaaa, doidaaa), frases ininteligíveis (barabarabara berêberêberê BereBerebere Barabarabara ) ou pessoas que usam seu corpo para um trabalho árduo (amor de rapariga é que é amor, amor de rapariga é bom de mais, amor de rapariga não tem confusão, não tem briga não...) ou quem sabe, amor, um amor lindo e singelo (Amor é feito capim, mas veja que absurdo, a gente planta ele cresce, e ai vem uma vaca e acaba tudo), quiçá carinho (Mamãe ta dodói, papai da da beijinho que passa ...). Musicas que tocam inúmeras vezes em suas inesquecíveis festas, onde você provavelmente terminará bêbado, ou rindo de algum amigo por ter consumido de mais nosso velho amigo etílico, com os pés doendo de tanto ser pisoteado, ou quem sabe até grávida, porque se teve uma festa aqui, que nem mesmo uma menina não tenha acabado grávida, eu não sei qual foi.
Sem contar com as perspectivas para o futuro da maioria dos filhos dessa terra. 30% pensam em estudar, ir para uma faculdade, ganhar dinheiro, e nunca mais voltar aqui (ou não). Os outros 70%, normalmente, vão trabalhar de mototaxista, ou de frentista, ou numa lan house, ou na empresa de seus parentes (não desmerecendo essas profissões, mas nunca ouvi alguém dizer: meu sonho é ser mototaxista, ou , nossa como o cheiro da gasolina me atrai, serei frentista) ou quem sabe até vendendo o próprio corpo para conseguir por comida dentro de casa (ou não), e ficar falada pela cidade inteira, e ser perseguida, cortejada e sustentada pelos ouvintes assíduos de forró e amantes de paredões (me lembra até outra musica: Paredão que é paredão, não toca outra, só toca garota, só toca garota )enquanto suas namoradas estão em casa levando (ou pondo) belos pares de chifres em sua cabeça.
Bom, como aqui não tem nem um lugar em que eu possa gritar até minha raiva esvair-se, sem ser pego pelo manicômio por justa causa devido ao ódio que tenho por esse lugar, esse texto foi mais um desabafo, um bem vindo a minha vida. E pense duas vezes, se sua cidade tiver cinema, shoppping, praia, parque, pessoas bonitas e legais, musica boa entre outros, antes de dizer que sua cidade é uma droga.
@JonaasF

segunda-feira, 26 de julho de 2010

E você não vai ler isso...

Eu sei porque eu sei que nunca vou te mostrar, só que eu... Eu não sei mais o que eu sinto - se é tristeza, indiferença, maldade, raiva, rancor ou tudo numa coisa só, mas eu não te amo. Não como é pelo menos necessário. Viver como se eu não existisse, aliás como se eu existisse e não fizesse diferença nenhuma pra você, e que por mais que procure, por mais que eu batalhe, por mais que eu escreva mais milhões de "por mais" aqui você nunca vai sentir orgulho de mim porque você é indiferente.

Porque eu só tenho os meus amigos e só tenho a ele, você não faz mais parte do meu mundo, pelo menos não da parte onde eu sou feliz e eu não costumo achar que a culpa disso seja minha. Eu passei uma vida inteira trancada num mundo de ordens desordenadas, brigas sem fundamento e desamores sem um tamanho que eu pudesse medir esticando meus braços ao máximo, era maior que eu, sempre foi - assim como o resto do mundo. O problema é que eu não reclamei por passar minha existência pagando por um erro seu e agora é mais forte que nunca. E de repente eu me sinto mal agradecida, me sinto má, e sinto nojo de mim por não amar você o suficiente para te perdoar. Eu não sou uma boa menina por mais que eu tenha passado todo esse tempo assim, fracassando uma tentativa após a outra de fazer com que você se orgulhasse de me ter. Pois caso você não saiba, um abraço, um "boa tarde", ou algo do gênero é melhor que nada por ser alguma coisa.

E eu queria poder contar com você quando eu estivesse me sentindo sozinha. Porque livros não sentem compaixão de mim, não me consolam, não respondem as minhas perguntas, não me consolam quando eu tô triste exatamente como você sempre fez, eles apenas me fazem a compania que você não faz. Não pense que bens materiais são demonstrações de afeto, por estes eu sou mais que agradecida, mas eu pagaria um real por cada beijo de boa noite que eu ganhei em todos estes anos e não seria nenhuma fortuna se é que me entende.

Mas quando todos os meus "boa tarde" significarem "adeus" eu sei que você vai sentir minha falta - Ou simplesmente jogar alguém no meu lugar. Eu não vou pedir desculpas por ser frágil e precisar de alguém além de mim às vezes, nem vou me arrepender de ser corajosa e correr atrás do que eu quero. Minhas asas são inversamente proporcionais à auto-estima que você fez desabar com o tempo, meus sonhos são maiores que todo o resto, meu coração um dia cansa de tanto descaso e levanta vôo dessa casa - e eu não vou me arrepender.

Adeus.

@NinguémTeDisse

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Dentro do pacote


Eu li Crepúsculo, Lua Nova, Eclipse, Amanhecer - e me encantei por um romance clássico, ponto. Não haviam filmes com efeitos especiais chamativos, propagandas cansativas em meios de comunicação em massa, nem matérias com páginas e mais páginas em revistas de circulação nacional ou atores e atrizes Hollywoodianos envolvidos. Era apenas eu com dezesseis anos e um livro interessante nas mãos. E depois eram bilhões de posers pelo mundo debatendo sobre um best seller que virou filme, e mais bilhões falando como uma escritorazinha de merda tinha fudido legal com as lendas e misticismos em torno dos vampiros, e mais mídia barata atrás de audiência, e mais uma modinha surge. Agora era apenas uma seguidora de modinha qualquer com aquele livro sobre vampiros de araque pra pre-adolescentezinhas retardadas que todo mundo tá lendo. Rótulos, rótulos, rótulos.

Tantos preconceitos e mal-caratismos {nem sei se essa palavra existe} de tantos tamanhos e gêneros diferentes que eu não consigo escolher por qual começar. O que você veste, de quê você gosta, a quem você ama - O engraçado não é como no fim das contas tudo acaba por se tornar só uma questão de opinião, engraçado é como tudo é só uma questão de opinião dos outros, não sua. Me dá uma vontade tão infeliz de mandar o mundo ir dar o olho do.. (e não no bom sentido - se é que tem bom sentido) que eu acabei aqui, escrevendo esse texto, me perguntando que porra o resto mundo tem a ver com as minhas escolhas, crenças e etc, o que me deixa com ainda mais vontade de ligar o Foda-se.

Não é da sua conta. Ninguém quer saber sua opinião sobre eu ter gostado de ler crepúsculo, ou dela não se envergonhar de ter um namorado de classe social mais baixa, ou daquela alí ter tido pôsteres de Rebelde, ou sobre fulaninho ser gay, ou sobre sicrano que deixou a mulher! Isso não vai influenciar em nada na sua vida, não vai fazer você passar no concurso do Banco do Brasil, no vestibular, nem muito menos te deixar interessante. Preconceito não tem graça, você ainda é feio e não tem dinheiro suficiente pra fazer alguém se apaixonar por você, pessoa nefasta.

Não são os livros que você lê ou os filmes baseados neles, nem as músicas que você houve, nem com quem você anda que te dirá quem você é! Mal amados, mal comidos ou mal rotulados, basta lembrar ou aprender só uma coisa: A embalagem não diz tudo, o rótulo está do lado de fora, isso que está dentro do pacote é que prova se vale ou não a pena... Acho que dessa vez não é preciso terminar minha revolta com uma frase de efeito, ou seja.

beijonãomeliga ;*

@luiza__

terça-feira, 29 de junho de 2010

Pra não dizer que não falei das flores


Hoje eu lembrei de como é ter alguém que se importe com o que me importa. Hoje eu me lembrei como é jogar tanta conversa fora em tão pouco tempo, como se fala tanta coisa séria em um sorriso sem jeito. Hoje, eu lembrei do quanto é bom saber que ainda há do mesmo jeito aquilo de sempre que toda vida vai estar alí.

Mesmo sem as benditas as coxinhas de recuperação, ou - pra não dizer que não falei - das flores bicolores, mesmo com a distancia que só existe fisicamente, mesmo com as cachaças que a gente nunca tomou, mesmo que às vezes a gente ache que não há, ainda há. Hoje eu me lembrei que frases bocós merecem depoimento no orkut. Porque a saudade era aliviada aos poucos em cada abraço gasguito e a cada pergunta indiscreta.


Hoje eu lembrei que se pode ligar quando quiser ou precisar falar alguma coisa, qualquer coisa - mas é preferível que seja no sabado ou domingo por causa do 31 anos, mas se a emergencia for na semana, sempre haverá um Tim infinity (por mais quatro anos pelo menos, caso o Brasil ganhe a copa).

Hoje eu lembrei que não tem preço assistir com as amigas os jogadores de futebol, não o jogo. Do quanto é bom não ver a hora passar na calçada, de resenha até mais que a hora de ir dormir, como se fossemos acordar amanhã e não voltar aos afazeres, cursinhos e vestibulares por aí pela vida, apenas pra sermos nós, balão mágico, estranhos e revoltados, entrando pelo portão daquele castelinho outra vez.

@luiza__

sábado, 12 de junho de 2010

Quem disse que eu preciso de uma companhia? -NOT


Eu gostaria de dedicar esse texto a todas (os) aquelas (es) que resolvem por um simples ato de maldade amorosa, triturar, esquartejar, liquidificar, extirpar (entre outros verbos que sejam sinônimos de rasgar, quebrar ou torcer) nosso músculo tão importante para o bombeamento do sangue para todo o nosso corpo, chamado coração, nos deixando nesse dia, sozinhos no sofá, com um pote de sorvete na mão, assistindo o caldeirão do Huck, sentindo-se até melhor em ver que existem pessoas em situação pior que a sua, no “Lar doce lar” ou no “Agora ou nunca”.

Para alguns esse dia é um dia perfeito, de trocar presentes, de assistir filmes o dia inteiro agarradinho(a) com aquela(e) que você acha ser a(o) mulher(homem) da sua vida, dia de declarações com carros de sons, faixas nas ruas, idiotas apaixonados tocando uma musica melosa, no violão, para sua amada, que está achando sua voz desafinada e fora de ritmo a coisa mais linda do mundo... entre outras estripulias amorosas.

Mas para você, que como eu, não tem namorada(o), por não ter quem te queira, ou por falta de opção, ou até mesmo pelo simples fato de não conseguir gostar de ninguém devido a antigas lesões no coração, esse é um dia de dar graças a Deus por não ter com quem gastar dinheiro, dia de dizer “ainda bem que eu não preciso passar pelo sufoco de tentar achar um presente ideal” .

Tudo mentira! Mentiras deslavadas para se sentir melhor, mentira de um alguém que está com o coração quebrado em bilhões de fragmentos, esperando alguém nem que seja com um Durepox pra colar as migalhas. Desculpa de um pé todo esfolado por ter calçado sempre os tênis errados, a espera nem que seja de uma sandália havaiana com 2 mm de espessura com um prego segurando a correia. Desculpa de uma pessoa que quer gastar dinheiro com alguém que realmente ama, desculpa de alguém que quer desesperadamente passar pelo sufoco de achar um presente ideal.

Portanto, se você é uma pessoa cujo auto-estima esteja pouco abaixo dos pés da cadeira que você está sentado, por não estar namorando, não se importe, releve o fato de que você é uma pessoa sozinha, jogada em um abismo de abstinência amorosa, devido a uma pessoa ter feito isso com você, seja ontem ou a dois anos atrás. Releve, sorria, não se culpe, culpe aquela(e) que te deixou assim, e rogue uma praga para que ela(e) morra velha(o), se masturbando assistindo “a lagoa azul”, com as “cenas de amor” de Richard com a Emmiline ... Brincadeira, não seja tão cruel, apenas corra atrás de uma namorada(o), e jogue na cara da(o) infeliz que te deixou sozinho(a) nesse dia, te fazendo ler esse texto!

@JonaasF

sexta-feira, 11 de junho de 2010

É o amor


Eu não vou negar que essa musica é tosca, que Zezé di Camargo canta mal, nem que eu odeio sertanejo. Eu não vou negar. Mas eu não conseguiria ver um modo mais melodramático de se começar a contar uma história como essa. Não posso garantir que será interessante, mas imprevistos podem acontecer.

É clássico. Sempre. Todos os anos, neste dia. Eu não estou falando dos casais efusivos, das propagandas cheias de corações e romance consumista, nem tampouco das declarações deslavadas por todo lugar melando tudo ao redor. É simplesmente mágico como a cena se repete.

Eu já consigo visualizar mesmo faltando um único dia. O sorvete no colo, a colher na mão, o filme água com açúcar preparado no DVD, a camiseta mais confortável da face da terra e você. Não você que tem namorado, você está procurando seu melhor vestido pra poder se montar no seu salto 15, com seu mais fino fio dental recém-comprado preparada para seduzir. Eu estou falando com você que perdeu a vergonha na cara assim que disse ou ousou usar como sua a mais batida e brega de todas as desculpas esfarrapadas de uma encalhada: "Solteira sim, sozinha nunca." Isso até pode servir pra sua inconveniente tia torta (literalmente, ou não) que pergunta sobre o namorado que você não tem sempre que te vê. Mas você não acredita nisso que eu sei. Eu sei, eu já estive aí. Bem aí no seu lugar, coleguinha.

Se sentindo o fedor do cocô do cavalo do bandido, sem ninguém pra chamar de seu. Tão solteira com S maiúsculo que é capaz de apelar para a tortura de uma pobre imagem de Santo Antônio, mergulhando o pobre na água gelada de ponta cabeça. Tadinha de você, eu me lembro bem como é. Tão claramente desapegada que se submete à promessas absurdas como a de não comer seu prato preferido, digamos pipoca, por 6 meses - tudo isso por não ter seu tão maravilhoso príncipe encantado nem muito menos o cavalo que também serviria nas horas de maior desespero...

Não se preocupe.
O amor vale à espera. Na maior parte do tempo você até acha que não vale, mas vale. Vale cada infeliz imagem de Santo Antônio de cabeça pra baixo dentro da geladeira. Vale cada filho da puta que não te desencalhou. Vale cada trabalho, macumba ou pacto com o capeta que você faz ou pensa em se propor a fazer. Vale cada celulite que você ganhou com cada colherada de brigadeiro/sorvete/coisagordurosa que você só pôs na boca por estar sem ninguém. Mas espere mesmo assim. Vale os cds de Adriana Calcanhoto no volume mais alto. Vale os livros de auto-ajuda. É o amor, e ele vale à pena, eu juro. Mas enquanto ele não vem, aproveita o filme e a fossa, porque às vezes ela dá saudade, principalmente nas finais do brasileirão.

E só pra constar, não é o amor que mexe com a sua cabeça e te deixa assim. Isso é a versão masculina do dia dos namorados na conserva da solidão. (Y)


beijonãomeliga :*

@luiza__

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Ele, eu e ninguém que se importe (Parte III - Final)


- Quero que vá comigo esta noite. - Ele falou no imperativo como uma ordem à uma subalterna fulaninha qualquer, uma fulaninha qualquer que ele queria como compania na melhor festa do ano. Eu era a fulaninha, mas ainda pior, eu QUERIA ser a fulaninha dele. Ai como eu sou estupida, mas por que eu me negaria a ser mais dois dedos deplorável do que eu ja sou em querer ser a fulaninha dele?

- Pode ser. - Tentei dizer o menos afetada que pude, olhando sua barba rala que se sobrava um pouco ao longo do maxilar e pouco cima de sua boca... Que boca. Eu te amo. Puta merda, como amo esse infeliz. Eu amo o cabelo ruim porém macio, o nariz reto e elegante, o hálito doce de Trident de menta. Filho da puta, como eu odeio amar tudo nele, mas eu amo. Odiava o fato de eu querer namorar com ele, casar com ele, dar pra ele todo o céu o mar e o brilho de cada estrela cafona que enfeita meus olhos enquanto eu cito essa frase brega. Ai que inferno é lembrar da letra de todos aqueles cacetes daquelas músicas dos Tribalistas só em olhar pra ele. Não olhe pra mim e diga que isso é bacana, porque não é.

O amor é legal pra quem vê de fora - não generalizando obviamente, mas - vai dizer que se era amor, você não ficou sem dormir de raiva ou saudade. Chorou sem querer de tristeza ou mágoa. Brigou sem pensar depois ficou na merda. Eu não sou cética nem pessimista nem nada, mas eu creio na realidade dos fatos: Nunca me dei lá muito bem com esse tipo de coisa, e detalhe que não creio que eu vá me dar bem se o eleito for ele. Ele. A abreviação perfeita para "Evil Lives (h)Ere". Mas mesmo assim, arrumei o meu melhor vestido, meu sapato mais caro e o meu orgulho mais oprimido e fui ser a fulaninha dele. Me achando a ultima Fanta uva do pomar por ele ter me dado um ultimo beijo de "vá embora" antes de soltar minha mão no meio da festa.

(the end)

@luiza__

domingo, 30 de maio de 2010

Ele, eu e ninguém que se importe (Parte II)


#se você não entendeu, pequeno detalhe, as partes são narradas de trás pra frente, só pra constar (Y)

Ele com ela, ela com ele, eu sem ninguém, observando tão atentamente um par de suntuosos chifres surgirem simpaticamente em mim, à cada centésimo de segundo em que eu os via. Dramatica e poeticamente falando, é óbvio que não tinham chifres crescendo na minha testa. Eu não tinha nada com ele além de um caso à deriva, após o sonho platônico do rapaz popular que se envolve com a maria ninguém. Socialmente, ele não era nada meu Os chifres não eram externos, não eram expostos, não eram compartilhados com todas as outras dezenas de pessoas que observavam a mesma cena que eu. Mas eu os podia sentir saindo de algum lugar, dentro de mim.

Eu senti vontade de correr, gritar e dar um hundhousekick bem no meio das partes íntimas dele, chutar, pisar, massacrar cada pedacinho. Tornando público seu maior pesadelo, o de ter sua imagem de popularidade intocável manchada com sangue por ter tido qualquer coisa comigo. Eu, a maria ninguém, a sem graça, impopular, a estranha que sentava no canto da sala. E ele lá, tão lindo, tão cheio de si, tão cheio dela, digo assim, literalmente falando, ela quem estava cheia dele se fosse prestar atenção no significado da palavra...

Sem mais o que ver, fui-me embora dele, daquele lugar e de tudo o que ele foi pra mim, por acaso.

- Não vai esperar pra ver o que vai acontecer? - Perguntou uma das meninas pra mim. Não me interessava nada a imagem daquela loira sem graça e sem roupa, até porque as roupas que ela habitualmente usava não deixavam lá muito a não ter sido visto antes. E ele... Bem, não havia nada para ver que eu já não tivesse visto - se é que me entende. Apenas saí sem dar tchau pra ninguém e fui como uma mulher forte e de personalidade que sou, para a minha casa, para a minha geladeira, para os meus chocolates e para a minha vodca, deitar na minha cama, ouvir a minha fossa cantada pela Adriana Calcanhoto e chorar com os textos da Tati Bernardi, enquanto imaginava todas as formas criativamente cruéis de matá-lo lentamente.

(continua no próximo episódio)

sábado, 22 de maio de 2010

Ele, eu e ninguém que se importe (Parte I)

Eu estava lá, sentada no chão da quadra, olhando o vazio tomar conta de tudo. Do ar, do som, do tempo. Até que ele entrou lá outra vez, com todo seu ego preenchendo o espaço entre nós. Devia estar procurando aquela vadia burra que comumente ilustrava a testa dele com dois enormes chifres.

- O que você tá fazendo aqui? Todo mundo já foi embora.

- Nem todo mundo. Você tá aqui, eu to aqui... - Eu o olhei com o máximo de desprezo que um olhar revolto suportaria. Menino bocó, olhando pra mim com uma cara barata de sedução que por certo ele jura que come alguém com essa cantada podre. Ridículo, isso o definiria tanto quanto a tempestade de músculos debaixo de sua pele e sobre seus ossos. O cabelo dele era ruim, por isso ele deixava tão curto, haviam cravos por todo o nariz e as olheiras eram tão profundas, mas tão profundas que eu acho que ele não dorme tem uns dois meses. Menino feio, estranho, amostrado, tosco, metido, exibido, sunguelo, descabido, retardado.

- Jura? Nem percebi. - Lesado. Pensei voltando meu olhar pro chão, mas não concluí a frase. Não que eu seja do tipo que esconde o que pensa ou só fala por conveniência, apenas escondi o vocativo por educação, até porque eu não queria ser bronca, mesmo ele merecendo.

Me apoiei com as mãos no chão e levantei dalí, visando sair o mais rápido possível do mesmo raio de oxigênio que ele, me intoxicando à cada metro cúbico partilhado. Ele deu mais alguns passos e ficando próximo de mim. Mais, bem mais do que eu gostaria. Menino burro, que parte da linguagem corporal ele não entende? Meu corpo tava quase fazendo mímica para "RALA PEITO, BOCÓ" e aquele retardado não entendia. Ele queria o quê?! Um desenho?

- Eu percebi... Gostei de te ver jogar. - A anta mór observou.

- Bom saber que você tava torcendo pro outro time, se você não percebeu, perdemos... - Cretino, continuou olhando pra mim como se eu fosse um pedaço de picanha em exposição num açougue barato, então eu me manifestei. - Olha, você não tem nenhuma peguete loira e fútil pra torrar os neurônios que ela não tem ao invés de vir encher-me a paciência com todas essas suas cantadas ensaiadas? Eu tenho mais o que fazer...

Tentei fazer a saída dramática pelo portão esquerdo mas o infeliz me segurou o pulso e provocou um rebuliço não-habitual no meu intestino.

- Eu também senti saudade, meu amor. - Eu me imaginei enfiando um canudo pela orelha dele e tirando-o pelo nariz adunco e cheio de cravos indignantemente oleosos. Eu me imaginei decepando suas partes íntimas com uma faca prazeirosamente cega e enferrujada, para que ele contraísse tétano e morresse em coma por isso. Mas só o que eu tinha como possibilidade era meter-lhe a mão na cara. E falando em cara, aquele bulso peludinho seboso de moto-taxista que tinha, ele JURAVA era bonito. E o pior que era.

Sem cogitar a possibilidade de pensar uma segunda vez, sentei-lhe uma mãozada na fuça, com tanta força, mas com tanta força que o desenho dos meus dedinhos se sustentaram vermelhos por algum tempo alí.

- Que bom que sentiu. - Sorri, maldosa. E saí, deixando ele, o ego dele e a merda lá, todos juntos.

domingo, 9 de maio de 2010

Nota de agradecimento ao parto e outras coisas além disso


Obrigada às Terezas, Rejanes, Adrianas, Larissas, Marias, Solidades, Jussaras, Jaquelines, Catarinas, Giovanas, Iraneides, Luzias, Marizas, Dianas, Loudinhas, Suzanas, Audenira, Isabeles, Verônicas, Franciscas, Rafaelas, Joanas, Danielas, e também à todas as outras genitoras as quais se dedica este domingo tão especial.

Obrigada pelas chineladas, gritos e beliscões discretos em função dos nossos maldosos comentários. Obrigada por falar mal das roupas que gostamos, das músicas que ouvimos e dos amigos não muito normais que arrumamos. Obrigada por dizerem "Eu não disse!?" toda vez que alguma mazela nos acontece, e por terem o dom de prever desgraças (e nós só nos damos conta disso depois que a merda tá feita). Obrigada por virem nos limpar quando a gente gritava "Mãaaae, terminei!" e por passar Merthiolate nas nossas perebinhas pueris e ter certeza que comprou do que ardia pra que aprendêssemos a lição. Obrigado pelos "Você é novo de mais pra ir a uma festa, volte antes da meia-noite!" ou "Você não acha que é grandinha demais pra fazer esse tipo de coisa?", nós sabemos que, pra vocês, paramos no tempo, nem pequenos, nem grandes de mais pro seu amor e não é que "Tudo seja mais difícil" pra vocês, nós só não queríamos ensinar como se dá Ctrl+C Ctrl+V dezoito vezes . Obrigada por segurarem nossos pés no chão quando a nossa cabeça estava nas nuvens.

Obrigada pelas ameaças, castigos e recompensas comandadas de acordo com as notas do boletim e pela preocupação com o nossa integridade física, já que a moral vocês normalmente fazem questão de destruir quando conversam com nossos amigos e namorados(as), ou quando escolhiam nossos cortes de cabelo Channel, Indiozinho ou Chitãozinho e Xororó nos casos mais extremos. Obrigada por nunca aprender as letras das músicas direito, mesmo que isso nos irrite, nós amamos corrigí-las. Obrigada por terem TOC e quererem o NOSSO quarto arrumado do SEU jeito e pelas meias que eu nunca aprendi a dobrar. Obrigada pela paciência com a nossa adolescência e por nos deixar torrar seus juízos por pirraça. Obrigada por dizer com os olhos o que as palavras não as permitem pronunciar e pelo seu abraço displicente numa manhã de domingo. Obrigada pelos conselhos que a maioria de nós não segue, pelas noites em claro nas infecções intestinais, e dengues, e viroses, e etc. Obrigada por nos acordar pra escola ou pro trabalho escravo, por nos amar mesmo quando não merecemos e obrigada por serem as sogras de nossos namorados.

Obrigada por nos mandarem tomar banho, escovar os dentes e pentear o cabelo (mesmo que alguns de nós não o façam tão constantemente assim). Obrigada por nos dizer que só sujamos a farda da escola porque não é a gente quem lava. Obrigada por tentarem ser as melhores do mundo e independente das falhas ainda conseguirem. Obrigada pelos ataques megera dignas de novela, mas terem seus dias de boa com a vida. Obrigada por acharem defeito em tudo o que fazemos, questionarem os cursos que escolhemos pra prestar vestibular e pelas crises dramáticas com a clássica revolta: "Eu só quero saber quando eu morrer, como é que você vai fazer isso sem mim?!", sabemos que é só porque não querem que nós morramos de fome ou pobres largados desempregados na sarjeta e longe de você, mamãe. Obrigada por não desistirem de nós mesmo às vezes não dando a vocês o valor merecido. Valeu por não nos deixarem da mão e por nos ensinarem a rezar antes de dormir.

Obrigada às Clarisses, Marianas, Ludimilas, Erivânias, Das Dores, Das Luzes, Taíses, Joelmas, Aílas, Maísas, Iaras, Emílias, Iracemas, Jacys, Jucys, Ritas, Goretes, Lílians, Priscilas, Sandras, Graças, Margaretes, Patrícias, Bernadetes, Martas, Geraldas, Fernandas, e todas as outras as quais não há só este dia no ano, mas todos os outros também, se dedica o amor maior. Amamos vocês.

Feliz dia das Mães.

@luiza__ & @JonaasF

sexta-feira, 30 de abril de 2010

#Carta a um colírio desavisado


Eu poderia dizer que suas canelas são finas, que seu nariz é horrível, que o seu cabelo é ruim ou que você tem uma voz fanha e aviadada.

Tenho idéias sobre como mostrar ao mundo que você e todo o seu mundinho fake nada mais são do que um poço vazio, sem graça e de prancha - preocupado com fazer suas milhares e milhares de caça-colírios acreditarem em cada uma das rélis mentiras dedicadamente deslavadas que você às conta.

Okay baby, ser pseudo-famoso não é mais importante que ser verdadeiro. Parecer bonito depois de chuvas de photoshop não vai fazer de você alguém com cérebro. E, pelo amor divino, a falsidade combinada à ausência de personalidade não vão te trazer seguidores nem tampouco amigos. Acorde, meu bem!

Eu poderia provar que você não tem estilo, amigos ou cérebro, que você perece na mesmice se aproveitando de alheios... Mas é ainda mais satisfatório ver você fazer isso por si mesmo, baby.

@ninguemtedisse, mas eu digo.

ps- Ah, e se quiser por acaso um conselho: Daqui pra frente, tente ser mais você, amor, mesmo não sendo nada bom nisso. Até porque, é preferível um Paulo pokemon como colírio à qualquer coisa sem originalidade. :D